As associações intermunicipais funcionam desde o início dos anos noventa como espaço de convergência de interesses comuns entre grupos de municipios próximos geográficamente. Mais orientadas para potenciar a captação de fundos financeiros do que para responder às mais profundas necessidade estratégicas globais, corresponderam durante estes anos, apesar disso, a um passo positivo no desenvolvimento de algumas soluções partilhadas. Legislação de Maio deste ano, imposta pela maioria psd/pp, empurra os municipios para um acelerado processo de reorganização desta intermunicipalidade, colocando nesse espaço novas figuras juridicas de poder supramunicipal não eleito directamente pelos cidadãos, para o qual são transferidas algumas competências dos actuais concelhos. O que pode resultar deste processo não é claro para ninguém. Que toda a sua concepção aparece atabalhoada e geradora de conflitos, disso não há dúvida.
Das duas associações existentes no Alto Minho os altominhotos esperariam bom senso e sentido da identidade sub-regional que, durante séculos, se tem afirmado com clareza. Perante leis capazes de gerar a confusão, bom seria que os políticos locais procurassem respostas capazes de as tornar o mais positivas possível, afirmando propósitos de unidade. Não foi isso que aconteceu: os responsáveis da Associação do Vale do Lima, especialmente o dr. Defensor Moura e o dr. Francisco Araújo, rapidamente afirmaram as suas vontades de que a divisão se mantivesse. Os argumentos são superficiais. As verdadeiras razões terão mais a ver com cálculos de poder pessoal do que com os interesses das populações.
A estratégia distrital do psd, liderado pelo dr. Francisco Araújo, é conhecida. Resulta mais de ambições de hegemonia partidária do que de qualquer outra razão. Este dirigente nacional do psd, e autarca dos Arcos de Valdevez, está disposto a dividir o distrito para reforçar o seu poder regional. Esposende e Caminha, a concretizarem-se as adesões à nova comunidade, serão conquistas emblemáticas neste projecto de afirmação do PSD do dr. Araújo, apoiado por um dr. Moura apostado na beleza do seu umbigo banhado pela foz do Lima e motivado pela vontade de manter longe de si o seu adversário no interior do ps, o dirigente distrital do ps e actual presidente da associação do Vale do Minho.
E, no meio disto tudo, temos uma dra. Júlia Paula a tomar decisões como quem faz compras de Natal para pôr no sapatinho do PSD. Caminha poderia ter desempenhado um papel na defesa da unidade altominhota. Deveria tê-lo feito. Mas isso tinha exigido coragem, independência político-partidária, enraizamento cultural… enfim, coisas que no entender da presidente do nosso municipio não dão de comer a ninguém! Preferiu alinhar em cálculos alquimicos sobre os bolos a dividir. Bolo cuja decoração “ambiental” não convencerá sequer os próprios, a julgar pela convicção com que o defendem.Daí a necessidade de acrescentar alguns condimentos falsos, como vimos esta semana nas acusações feitas à Câmara de Cerveira sobre as contas do Aterro Sanitário. Tudo serve para justificar a escolha, já que as verdadeiras razões não são minimamente convincentes.
O debate com os caminhense prometido pela presidente da câmara, se acreditarmos que aconteceu, terá sido tão restrito que dá até para desconfiar que as “forças vivas do concelho” são algo mais secreto do que a Maçonaria. Fica-nos, assim, a pior das impressões. Da opção tomada, propôr à assembleia municipal a adesão à Valimar, resta-nos a esperança de que nesse orgão exista independência de todos os seus membros para travar este disparate.
(texto publicado nos jornais “O Caminhense” e “caminha2000″ em Novembro de 2003)